Para colher as plantas…


Os Oloòsányìn ou Babalòsányìn são também chamados de ònìsegun, “curandeiros” em virtude de suas atividades no domínio das plantas medicinais. Um Babalòsányìn quando vai colher as plantas está num total estado de pureza: abstem-se de relações sexuais, na noite anterior, e vai para floresta durante a madrugada sem dirigir a palavra a ninguém.

Além disso, arreia uma oferenda a Osanyin na entrada da floresta no intuito de pedir licença, para colher as ervas para seus trabalhos.

Ainda ao entrar na mata mastiga durante algum tempo elementos mágicos como obì ou pimenta da costa.

As folhas e as plantas constituem a emanação direta do poder da terra fertilizada pela chuva. São como as escamas e as penas que representam o procriado.

O sumo das folhas é também chamado de èjé ewé ou “sangue das folhas” e é um dos axés mais poderosos que traz em si o poder do que nasce e do que advém. No ato de se macerar as folhas, entoam-se cânticos chamados de sàsányin.

Ossanha ou Ossãe é o Orixá das plantas medicinais e litúrgicas. Orixá das Folhas e das Matas.

É fundamental sua importância, porque detém o reino e poder das plantas e folhas, imprescindíveis nos rituais e obrigações de cabeça e assentamento de todos os Orixás através do omieró ou abô (banho feito de ervas), assim como sobre todas as cabeças. Também a ele pertencem os ossos, nervos e músculos. As pessoas com defeitos físicos nas pernas, e que não possuem uma das pernas, quase sempre estão ligadas de alguma forma a esse Orixá, pois ele se apresenta sem uma das pernas, seja simbolicamente, assim como em transe dança com uma das pernas encolhidas como se não a possuísse, muitos de seus filhos conhecidos de todos nós, que não possuem uma das pernas quando da manifestação de Ossãe, dançam toda uma noite em uma perna só. Como as folhas estão relacionadas com a cura, Ossãe também está vinculado à medicina.

Ossãe tem um grande fundamento com yá kojuagbá, qualidade de oxum não raspável,

O seu ritual se chama sassanha e a Sassanha é divida em:

O ITA… Folha de três dias

O IGE… Folha de sete dias

O IKA… Folha de 14 dias

Nascido em Irawo, filho de Oxalá e Yemanjá, irmão de Ogún, Oxóssi e Xangô. Ossanyin é muito ligado a Ogún e Oxossi, o mesmo não acontecendo com Xangô, como aparece em várias versões que eles se opõem.

Ossanyin é o patrono das folhas e da vegetação. Cada folha tem uma finalidade própria dentro do Culto aos Orixás e quando associadas tem poderes mágicos e medicinais: “KO SI ÈWÉ, KO SI ORÌSÁ” (Sem folhas não há Orixá).

Sem Exú e Ossanyin não existe Candomblé.

Num terreiro só pode haver um Omo Ossanyin (iniciado), embora possa, sem problemas, ter vários abians, cujo Orixá principal seja Ossanyin.

Ossanyin é acompanhado pelo seu principal Exu Sasaneji e o encantado Aroni, cujas características, tanto desse como daquele passamos a descrever:

Exu Sasaneji: Tem uma perna só e um olho é coberto com uma folha, no seu assentamento usa-se: ervas, frutas (colhidas no caminho) e raízes maceradas, vinho moscatel, azeite doce, mel.

Aroni: É um anão (duende), usa um gorro vermelho, enfeitado com búzios, um cachimbo de barro e pula numa perna só. A base de seu assentamento é algodão. Suas bebidas preferidas são: aluá, água de coco com pitada de sal. Come galos brancos, mel, fumo de rolo (desfiado), etc. Para chamarmos Aroni usamos fumo de rolo em cima de brasa e um ovo quebrado.

Aroni é quem intui o Babalorixá a combinação das folhas.

As folhas apanhadas no redemoinho são para Aroni.

No Ilé Axé Opo Afon já Ossanyin é macho, já no Gantois é cultuado com fêmea e come cabra.

Para colhermos folhas, na mata, despachamos o Exu de Ossanyin e o da mata.

As folhas são colhidas com a mão direita e colocadas numa cabaça com acaçá dissolvido na água qual as perguntas são feitas a duas cabacinhas e suas vozes poderão ser ouvidas.

As cabaças também acondicionam além de folhas, mel, fumo de rolo e cachaça, que é um elemento portador de muito Axé.

A voz de Ossanyin é estranha, pois imita o grito de um pássaro — ATIORO.

A colheita das flores deve ser feita com extremo cuidado, sempre em lugar selvagem, onde as plantas crescem livremente, deve-se estar em estado de pureza para esta colheita, abstendo-se de relações sexuais pelo menos três dias precedentes, indo a floresta durante a madrugada sem dirigir a palavra a ninguém. Tendo que deixar no chão uma oferenda a Ossanyin logo que se chegue ao local.

Ossanyin usa uma cabaça chamada Igbá-Ossanyin. Fuma e bebe mel e pinga. Ele é feiticeiro, por isto é representado por um pássaro chamado Eleyê, que reside na sua cabaça.

Ossanyin existe em todas as folhas, por isso quando queimam as matas ele fica revoltado com ser humano, que destrói a força da natureza, que é a cura de todas as doenças que existem e que vão existir.