Ayrá é conhecido no Brasil como uma qualidade de Xangô que usa branco e possui uma figura pacífica, mas Ayrá não é xangô e sim um Orixá que teve seu culto associado ao de xangô por vários motivos, e dentre eles a similaridade nas energias.

Ayrá pertence a família de Xangô, mas seu verdadeiro culto é independente, pois na Africa Ayrá é um Orixá a parte e não uma qualidade de Xangô. Ayrá pertecente a familia do raio e está ligado a Oxalufan.

O Culto de Ayrá nasceu em Oyó, na mesma cidade que nasceu o culto de Xangô e quando veio ao Brasil foi aglutinado ambos os cultos, simplificando Ayrá como um caminho do Orixá Xangô.

Sua festa é chamada de Fogueira de Ayrá, e acontece no dia 29 de junho. Ele não usa coroa, mas sim um Eketé Branco, sua comida não usa Dendê, pois são temperadas com banha de Orí, Come quiabo assim como todas as qualidades de Xangô.

O assentamento de Ayrá costuma ficar na Casa de oxalá, mas pelo simples fato de que Ayrá está ligado a Oxalá e se identifica com o branco; Porém muitos zeladores usam como desculpa uma rivalidade de Ayrá e Xangô (energia do orixá, ainda sem divisão de qualidade) para essa separação de Igbás, porém isso é LENDA URBANA, Ayrá pode sim ser posto junto a Xangô pois ele é cultuado como uma qualidade de xangô, apesar de Ayrá ser uma divindade Ligada a Xangô e da mesma familia e não se trata de uma mera qualidade ou caminho do Orixá. Ayrá possui suas próprias formas e caminhos, como alguns entendem, Qualidades.

Suas contas são Vermelho e Branco, porém usa-se mais branco do que vermelho, para diferenciá-lo.

CAMINHOS DE AYRÁ:

Airá Intilè: Veste branco/azul claro, aquele que carrega Lufan nas costas

Airá Igbonam: É considerado o pai do fogo, tanto que na maioria dos terreiros, no mês de junho de cada ano, acontece a fogueira de Airá, rito em que Ibonã dança sempre acompanhado de Iansã, dançando e cantando sobre as brasas escaldantes das fogueiras.

Airá Modé: É o eterno companheiro de Oxaguiã, só veste branco e não come dendê (só um pingo) sua conta leva seguí.

Airá Adjaosí: Velho guerreiro, veste branco, ligado a Yemanjá.

MITO DE AYRÁ

Segundo os mitos, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em todo o reino, em sua homenagem. A festividade conhecida hoje como Águas de Oxalá remonta a esse acontecimento.

No entanto, Oxalá estava muito alquebrado, ferido e entristecido. Apesar de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde Yemanjá, sua esposa, o aguardava. Xangô não podia acompanhá-lo pois precisava colocar em ordem o próprio reino e pediu a Airá que fizesse isso em seu lugar.

Foi assim que Airá tornou-se o companheiro de Oxalá, pois a viagem foi muito longa já que Oxalá andava muito devagar (conta-se também que Airá carregava Oxalá nas costas) pelo fato de ainda estar se recuperando dos ferimentos que adquirira durante os sete anos de prisão.

Durante o dia, eles caminhavam. À noite, Oxalá sentia frio e precisava descansar. Para aquecê-lo e distraí-lo dos próprios pensamentos, Airá mandava que acendessem uma grande fogueira no acampamento. Oxalá observava o fogo e Airá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oyó.

Desse modo, tornou-se tradição acender a fogueira no dia 29 de junho de cada ano (no Brasil), em homenagem a Airá e à viagem que fez em companhia de Oxalá.