Aganju é um orixá relacionado com Xangô, Oxum e Iansã.

Segundo a tradição de Oyó, Aganju é sobrinho de Xangô e filho de Dadá Ajacá, alafim deposto pelo irmão. Quando Xangô caiu, Dadá Ajacá voltou à Oyó e reassumiu como o quarto alafim de Oyó. Após sua morte, o trono foi herdado por Aganju, quinto alafim de Oyó e neto de Oraniã.

Nos mitos, Aganju é às vezes tratado como uma divindade primordial, associado à terra (em oposição à água) e às montanhas e vulcões.

No Brasil, Aganju, ou Xangô Aganju é considerado uma “qualidade” de Xangô enquanto dono das leis e das escritas e padroeiro dos intelectuais, em contraste com Xangô Agodô (o Xangô mais velho, ou o Xangô propriamente dito), que é principalmente o Orixá da justiça e do equilíbrio. É sincretizado com São José (festa em 19 de março) ou São Miguel Arcanjo.

“Xangô Aganju” também representa Xangô como orixá do ar e em sua relação com a mãe Iemanjá, que por ele teria sido violentada, dando origem aos Ibejis. Nesta concepção se misturam o conceito africano de Aganju como orixá da terra e o do seu filho Orungã, o ar, que teria violentado Iemanjá e dado origem a vários outros orixás.

Na santería de Cuba, Aganyú ou Aganyú Solá é tido como pai de Xangô e identificado com São Cristóvão. Seus colares são marrons e suas roupas, vermelhas-escuras. Seus filhos são homens poderosos e violentos, que facilmente se enfurecem, mas são desarmados pela ternura. São amigáveis para com as crianças e vítimas de mulheres de aparência frágil,que sabem como tirar vantagens deles.

Lenda de Aganjú:

Do consórcio de Obatalá, o céu, com sua esposa, a terra, nasceram dois filhos: Aganju, a terra firme, e Iemanjá, as águas. Da união com Aganju, Iemanjá deu à luz a Orungã, o ar, o espaço entre a terra e o céu.Mas Orungã cresce e se apaixona pela linda e sensual Iemanjá. E da união dos dois, o ar e a água, cresce profundo amor. Mas aflita, Iemanjá um dia se desprende dos braços de Orungan e foge alucinada, desprezando a continuidade daquele amor proibido. Orungan então a persegue, mas, prestes a alcançá-la, Iemanjá se deita. O corpo então cresce e, dos seus seios fartos, nascem dois rios que adiante se reúnem, constituindo uma lagoa. Do seu ventre fértil que se rompe, nascem: Dadá Ajacá, orixá dos vegetais; Xangô, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olocum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa dos ventos e da tempestade; Oxum, deusa das águas doces do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Okô, orixá da agricultura; Okê, deus das montanhas e das pedras; Oxóssi, deus das matas e dos caçadores; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã, orixá da varíola e da saúde; Orum, o sol; e Oxú, a lua.