Oxum nesta fase está ligada na interação  de Ode Ibualamo,seu pai, o grande caçador, e sempre o acompanha nas caças pelas selvas. Karê é uma Oxum jovem, também ligada a Logunede, seu meio irmão.

Ela usa dois keles, sendo um dourado e azul claro de Oxossi e como detalhe um ofá pequeno, junto com braceletes, idés, búzios …

Come cabra, galinha, coelho, konkém e os pombos são soltos ( como para todas oxuns)

Um detalhe importante não só para esta Oxum, mas para todas outras: na hora do ¨Pa¨ são colocadas duas gemas de ovo em seus igbas ( obs. Não dentro ) representado a fertilidade.

Sua origem:

Kare é filha de Yemanjá com Odé Ibualamo, porém antes de se casar com Yemanjá, Ybualamo viveu com Oxum Yponda e deste casamento nasceu Logum Ede, porém existem também outras iton que contam que tanto Oxum Karê como Odé Karê seriam filhos somente de Yemanjá, nascidos de uma jogada errada de um obi.

Itán

Iyemanjá passeava pelas matas quando avistou de longe o pequeno Logun Edé . Ela ficou por horas admirando a beleza do pequenino. Foi até Orumilá, dizendo que queria ter um filho que fosse tão belo quanto ele. O sábio lhe disse que a criança era mágica e encantada, pois era fruto da união e do amor de seus pais. Da mesma forma Iyemonjá estava enlouquecida querendo ter um filho com tal encanto. Orumilá lhe disse que ela deveria pegar um obi, passá-lo no ventre e logo após jogar nas águas. E assim a rainha do mar foi até as águas mais belas e límpidas, passou o obi em seu ventre, mais na hora de jogar na cachoeira, ela atirou errado e o obi caiu em cima de uma pedra, que o dividiu ao meio, ainda metade nas águas e a outra metade no mato. E passando – se 9 meses, Iyemanjá deu a luz a um casal de gêmeos, e deu- lhes o nome de Oxum Karê e Odé Karê, e ambos eram tão belos e encantados como Logun Edé. As crianças cresceram travessas, Oxum se vestia como Odé , e Odé como Oxum, e por isso ninguém nunca sabia quem era quem. Aprenderam a arte da caça, por isso ambos levam o ofá ( arco e flecha ). Em sua aldeia, quando estava na temporada de caça, Oxum Karê ao invés de ficar lá com as mulheres preparando a colheita e a lenha, ela ia para as longas caçadas com seu irmão e com os demais caçadores de sua aldeia. Odé ao invés de caçar apenas nas matas com os outros, passou a se embrenhar pelos rios e cachoeiras se tornando junto dela um ótimo pescador… Assim o desejo de yemonjá se realizou, pois Orumilá lhe deu dois encantos caçadores das águas! Até hoje muitos acreditam que certa vez houve uma grande seca, acabando com os rios e animais, e por tamanha tristeza os Karê’s tornaram-se um só, juntando assim o obi novamente… Por isso os filhos de Karê são doces como Oxum e destemidos como Oxossi, por que são orixás individuais, mais quando necessário tornam – se uma só força, uma só magia, um só encanto!

Começando pela origem:

Escritores como Benistes, Augras, Bastides… todos concordam que, na origem, apenas os elementos da natureza eram adorados, a água, a terra, a árvore, o fogo… Com o passar dos tempos criou-se a necessidade de se personificar esses elementos e algum ponto da história eles tomaram forma da figura humana. Beniste, em sua mais recente obra: Mitos Yorubas, já no primeiro capítulo narra o seguinte:

No tempo primitivo das origens, o homem via a natureza como um drama único vivido num cenário onde atuavam animais, plantas, vento, água, e todos os demais elementos que formavam a riqueza do Universo. O mundo dos mitos é pleno dessas forças e ações, mesmo sendo elas conflitantes.

Na literatura mítica, esses objetos da natureza são apresentados sob a forma humana… 

Falando-se do Elemento Oxum e se nos basearmos que essa seria o elemento água daquele Rio, e se nos levarmos pela Geografia daquele local, então encontraremos 16 cidades diferentes louvando oxum nessas 16 formas. Esse Rio nasce em Oshogbo, onde se louva Oxum de uma forma, a segunda cidade é Opará, onde Oxum é louvada como Yeye Opara e todos os seus mitos e ritos se modificam da primeira, a terceira cidade é Yponda, onde se louva yeye Yponda e assim por diante. Então se nos transportarmos para a origem, veremos que aquele povo de Ijexá não louvaria aquele Rio, mas sim várias partes dele.

O povo que foi trazido para o Brasil a partir de 1750 já trouxe sua crença divida, isso não ocorreu no Brasil e na formação do Candomblé, não só o povo de Ijexá, mas também os de Ketu, Oyó entre os demais foram respeitados na maneira de louvar seus deuses, sendo assim as várias regiões levaram suas crenças para dentro de uma só casa, aparecendo aqui, essas variações de uma mesma divindade, com o nome de qualidade.

Uma outra situação que eu não trouxe no vídeo, mas também deveria estar em evidência:

Os Britânicos estiveram em poder desta Região desde o ano de 1850 até 1960. Este bairro Kare teve seu nome de origem baseado no verbo em Inglês CARE ( DE TO CARE = CUIDAR ) CUJA PRONÚNICA  É KÉRE e passou a ser escrito na língua local com a letra ¨K¨  e chegou ao Brasil com a pronúncia carê. Sendo assim, também poderiámos estar afirmando que Oxum Kare seria a Oxum louvada, segundo o povo daquela cidade de Lage, na Nigéria.

Sentido de sua Origem:

Kare é um bairro localizado em Lagos na Nigéria, próximo aos templos de Osogbo, Ilobu e Abeokuta.

Osogbo tem o Culto a Oxum

Ilobu tem o culto a Odè Iboalamo e

Abeokuta tem o Culto a Yemanjá.

Veja que, por o bairro, o Culto a Kare estar localizado muito próximo dessas duas outras cidades podem ter sofrido a influência de desses dois cultos ( Ibualamo e Yemanjá ).

No Brasil:

Aqui no Brasil, conta-se que após Odé ter tido um filho com Oxum, Logunedé, teria ido morar com Yemonjá, lembrando que não seria o Odé da região de Ketu, que é filho de Yemonjá e sim Erinlè que é filho de Opaoká. E com Yemonjá teria tido dois filhos, Odé Kare e Oxum Kare, quando Erinlè separou-se de Yemonjá, ela cortou sua língua para que ele não contasse os segredos do fundo do mar. Foi então que Odé Kare foi morar com seu pai nas matas e Oxum Kare continuou com sua mãe, morando no rio que desagua no mar. Após algum tempo Oxum Kare sentiu saudade de seu pai e foi visitá-lo, no caminho ela sentiu fome, porém como morava nos rios e não tinha costume de caçar, só levou sua bebé, então mesmo com fome seguiu até o encontro de seu pai, que emocionado deu a ela de presente o Ofá (Arco e flecha unidos), e ensinou a  caçar, para que sempre que sentisse saudade de seu pai, pudesse fazer a viajem sem sentir fome.
Devido a associação a Odé, ela veste dourado e azul claro, e carrega um ofá no peito, em homenagem a seu pai, come omolokun com camarrão e ovos. Seu dia é o sábado como as demais yabas (Oxum, Yemonjá e Logun). Em alguns axés no 7 anos dessa qualidade, na primeira saída, leva um faisão dourado nos braços, uma alusão a lenda acima.
Em seu assentamento, estão presentes o otá (pedra de cachoeira), ofá, conchas do mar, além de objetos de vaidade.

Texto adaptado do Bàbá Sergio de Ajunsún

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